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JESUS E A OFERTA DE MOISÉS




Uma conexão entre o Antigo e o Novo Testamento

“E Jesus, estendendo a mão, tocou-o dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunha” (Mateus 8: 3 e 4).

Oferta de Moisés:

“Depois tomará para expiar a casa duas aves, e pau de cedro, e carmesim e hissopo; E degolará uma ave num vaso de barro sobre águas vivas; Então tomará pau de cedro, e o hissopo, e o carmesim, e a ave viva, e os molhará na ave degolada e nas águas vivas, e espargirá a casa sete vezes; Assim expiará aquela casa com o sangue da avezinha, e com as águas vivas, e com a avezinha viva, e com o pau de cedro, e com o hissopo, e com o carmesim. Então soltará a ave viva para fora da cidade sobre a face do campo; assim fará expiação pela casa, e será limpa”.

(Levítico 14: 49 a 53)

Em regra, quando se examina o milagre do Senhor Jesus no texto acima, os olhos se voltam para o milagre em si, a cura do corpo físico. É naturalmente o que se consegue visualizar. Todavia, aquele homem no qual o milagre se instalou, vislumbrou a essência da mensagem, cujo teor espiritual não estava visível na compreensão humana natural; situava-se muito além do olhar superficial. E aqui o convite que se faz está ligado a um mergulho exegético espiritual, numa reconstrução do elo entre o Antigo e o Novo Testamento; uma conexidade espiritual.

Quando o Senhor Jesus curou aquele leproso no texto comentado, mandou ao curado que cumprisse a determinação transmitida por Moisés no caso de purificação da lepra, ritual descrito em Levítico 14, tal como delineado acima. Com a finalidade de compreender a mensagem que o Mestre queria (e quer) transmitir – porque não se restringia a uma mera cura física, mas se situava no plano da salvação da alma – numa leitura contemporânea, necessário entender a sequência progressiva simbólica da oferta do culto levítico. Afinal, não raro ao curar alguém, o Senhor afirmara: “a tua fé te salvou”, de forma que a preocupação maior não era a cura física sem utilidade espiritual; era a salvação.

Duas aves iguais eram tomadas com três elementos sacrificiais: pau de cedro, carmesim e hissopo. O cedro (uma espécie de árvore) era símbolo da longevidade (leia-se: “eternidade”), uma tipologia de Deus-Pai, Jeová, o Deus Eterno. O carmesim, uma tinta de cor vermelha muito viva, apreciada pelos israelitas que a obtinham dum inseto. Aponta para o sacrifício de Jesus e o vermelho com o derramar de Seu Sangue no Calvário em prol do ser humano. Portanto, diz respeito ao Deus-Filho, que Se fez pequeno (na figura do “inseto” – vide Isaías 53). O hissopo era uma planta aromática utilizada para a purificação, o que nos leva a pensar no Deus-Espírito Santo que convence o homem de seu estado, levando-o à purificação.

Sob esse viés, uma das aves era degolada, dentro de um vaso de barro sobre águas e a outra era conservada viva. Ato seguinte, a ave viva era colocada no interior do vaso ensanguentado com o sangue da ave morta e os três elementos acima descritos. Na sequência, a ave viva era solta em campo aberto e alçava o seu vôo com a marca da ave morta. Assim é que, uma das aves era sacrificada para que a outra pudesse alçar o seu voo em liberdade. Decerto, a ave viva nada fazia a não ser mergulhar no sangue da primeira ave e voar. Assim, a marca do sangue da outra ave era vista, “para lhe servir de testemunho”.

À sombra dessa ideia, podemos contemplar o Pacto sacrificial do Senhor Jesus (a “ave” que se fez morta), que se identifica com a Igreja (as aves eram iguais), veio ao mundo como homem, fazendo-Se “barro” (“dentro do vaso de barro”), tomou sobre Si as nossas enfermidades, para que tivéssemos vida e “voássemos em campo aberto”. Com efeito, o Sacrifício Perfeito estava no Projeto envolvendo a Trindade de Deus (os três elementos envolvidos na purificação), numa linha interpretativa cristocêntrica (“Cristo no centro”).

Aquele cenário veterotestamentário finaliza com a ave viva alçando o seu voo fora da cidade, em campo aberto, porque a Igreja do Senhor Jesus não se compraz com o andar no chão (um coração que não se compromete com o mundanismo). Afinal, ela não tem compromisso com o tumulto da “cidade”; ela voa para o alto, em direção à eternidade de Deus. Aqueles que não se envolvem com o sacrifício permanecem “lá em baixo”; não alçam o seu vôo, conforme ditames das Escrituras.

Tens tu o desejo de participar desse voo rumo à eternidade do Senhor? Entre no “vaso de barro”, banhe-se nas “águas purificadoras”, em entrega plena, receba o toque maravilhoso do Senhor Jesus e arvore o seu voo para a liberdade, em direção aos braços do Pai, na comunhão secreta. Mas, na dicção do Senhor, “não digas a alguém”.


Deus abençoe.

Enviado por Daniel Santos via watsapp.

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