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A VELHA QUESTÃO DO DÍZIMO ...

Por Tony Sousa



“O rico e o pobre se encontram; a todos o Senhor os fez” - Provérbios 22:2

“Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício” - Provérbios 19:17

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem” - Deuteronômio 26:12

Aos líderes religiosos do nosso tempo que gostam de usar o texto de Malaquias 3:8 (o qual faz parte do antigo testamento) para acusar de roubo contra Deus, determinadas pessoas que não contribuem financeiramente com as igrejas, pergunta-se:

1 - Por quais motivos não se utiliza também o texto de Deuteronômio 26:12, para deixar a igreja de Cristo mais feliz?
2 - Por quais motivos o texto de Malaquias estaria em vigor e o texto de Deuteronômio 26:12 estaria esquecido descaradamente?
3 - São as instituições religiosas que marcam o que deve ou não ser cumprido na Bíblia Sagrada, de acordo com as conveniências de cada sistema religioso?

Deixando claro que a SALVAÇÃO é somente pela graça, mas existem, biblicamente falando, certas obras que o salvo deve executar na presença de Jesus, pergunta-se:

As palavras de Jesus registradas por Lucas no capitulo 14:12-14 do seu evangelho, estão ali apenas para “enfeitar” a Bíblia Sagrada?

“E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos, E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos” - Lucas 14:12-14

As igrejas brasileiras não podem cobrar certas posturas de seus membros, por um simples motivo; prega-se a obrigatoriedade do dízimo, usando o modelo do antigo testamento, mas sonega-se o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva, defendido pela mesma bíblia utilizada publicamente para denunciar os infiéis.

O dízimo é bíblico e a igreja precisa dele para evangelizar, mas fugir ou ignorar os outros preceitos relacionados ao ato de dizimar não seria burlar a palavra de Deus?

Outro erro grave de exegese é que o pecado de Ananias e Safira tem sido usado erroneamente nos púlpitos de várias denominações, para cobrar a fidelidade dos membros no tocante ao dízimo. As personagens bíblicas venderam um terreno e afirmaram que ofertaram o valor integral da venda para ajudar os irmãos pobres. A mentira e a demagogia entraram em cena. Eles queriam parecer pessoas generosas, mas, ao mesmo tempo, queriam ficar com uma parte do dinheiro. Deus não faz teatro e não gosta de bodes fantasiados de ovelhas. Na obra de Deus não existe destaque humano, mas os direitos individuais permanecem intactos, pois o justo juiz não perverte o direito de ninguém. Pedro reconheceu o direito de Ananias e Safira de ficar com o seu terreno: “Conservando-o, porventura, não seria teu?” (Atos 5:4). Uma vez que decidiram vender, não foram obrigados a doar o valor total. Pedro acrescentou: “E, vendido, não estaria em teu poder?” (Atos 5:4). O pecado de Ananias e Safira foi simplesmente a mentira contra o Espirito Santo, com o intuito de aparecerem como pessoas de extrema bondade, mas Deus não queria teatro no meio da igreja. O texto não se refere a dízimos e os valores recolhidos foram distribuídos entre os membros da igreja local. Esta parte os pregadores se esquecem de citar. Poucas denominações estão dispostas a fazer o que foi feito com o resultado das doações, portanto, caros pregadores, não falsifiquem a palavra de Deus! A falsificação é um tipo de mentira tão grave quanto a mentira de Ananias e Safira. 

Muitos evangélicos estão perdendo a confiança nas denominações por causa dos malabarismos exegéticos. Quando a questão abordada favorece o sistema religioso, prega-se a letra. Quando a letra favorece a ovelha, PREGA-SE QUE A LETRA MATA. Mas se cremos realmente que “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”, descobriremos que os escândalos relacionados a desfalques financeiros nas instituições evangélicas servem também para desmascarar outros erros, tais como o orgulho denominacional, a falta de transparência nos assuntos de interesse das ovelhas e a falta de resposta satisfatória contra acusações graves de desvio de condutas no topo da hierarquia eclesiástica das denominaçõesCertos pregadores gostam de citar o nome de Judas, como exemplo, para contestar aqueles que contradizem seus erros, mas esquecem-se que a falta de transparência no trato com as ovelhas é a pior das traições, em um tempo de incertezas, em que as ovelhas estão bastante feridas e carentes de abrigo.

O dízimo é bíblico e a fidelidade nele é uma benção, mas os malabarismos exegéticos matam mais do que a letra. Neste aniversário de 500 anos da reforma protestante (1517-2017), cremos que não existe nenhuma igreja evangélica brasileira que não esteja precisando de uma transformação de dentro para fora. Precisamos de mudanças de paradigmas para obediência irrestrita à palavra de Deus. Deus não faz remendo novo em pano velho, todavia os homens precisam querer a transformação. Esta é a parte difícil... Mas para Deus nada é impossível.

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