A ALEGORIA DA CAVERNA NA PERSPECTIVA SOTERIOLÓGICA

POR DANIEL SANTOS


"Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência. Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Provérbios 4:17-18

"Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância.

Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentadas, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construída um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco — Estou vendo.

Sócrates — Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Glauco — Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.
Sócrates — Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais da que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?
Glauco — Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?
Sócrates — E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?
Glauco — Sem dúvida.
Sócrates — Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?
Glauco — E bem possível.
Sócrates — E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?
Glauco — Sim, por Zeus!
Sócrates — Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados.
Glauco — Assim terá de ser.
Sócrates — Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curadas da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz; ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçada, e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que as objetos que lhe mostram agora?
Glauco — Muito mais verdadeiras.
Sócrates — E se a forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?
Glauco — Com toda a certeza"

Sem reservas podemos nos assegurar que o acervo bíblico é de fato o manual da alma; baseados nesta afirmativa é que decidimos expor um texto totalmente voltado para os aforismos defendidos pelo crente continuísta.

Antes, quero ressaltar ao amigo leitor, que não é pecado fazer uso de elementos da nossa realidade para exprimir as coisas sagradas; esta técnica é abundante no Oráculo de Deus. O apóstolo Paulo dotado por uma erudição elevadíssima às-usou em seus prodigiosos discursos sem denegrir o contexto profético de suas epístolas. Observe nesta ilustração onde ele relaciona as olimpíadas helênicas com o processo salvífico: "Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Filipenses 3:14.

A ilustração que usaremos hoje, é a famosa alegoria da caverna (platônica); que, examinada a partir de uma perspectiva espiritual "bíblica," acredito que didaticamente é uma ótima forma de se trabalhar o relacionamento que há entre a Obra criadora e a Obra Redentora.
Segundo Platão, a nossa realidade é a sombra das verdades absolutas, isto é, a verdade está fora da caverna.

Todo cristão autêntico que preza a submissão do Espírito é ciente que esta caverna, a "medida do homem" nos oferece apenas argumentos oriundos de elucubrações filosóficas. Por isso foi necessário que um de fora (Jesus Cristo) adentrasse nesta caverna (união hipostática), e nos tirasse para fora (igreja - tirados para fora).

A Obra Criadora é a sombra da Obra Redentora!
O Senhor Jesus em todo o seu ministério lançou mão dos elementos deste tempo para nos cientificar acerca de sua glória.

"Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência"
A impiedade gera violência (Hamas). O pão e o vinho que é servido neste tempo é destruidor (>vide-atualidades).

"Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora"
O Cristocêntrismo a luz do Espírito Santo é a única forma de termos vida plena. Não se trata de um monergismo sofisticado, e sim de uma experiência sinérgica que não fere a soberania de Deus.
Todo aquele que foi justificado pelo Sangue de Jesus é livre para caminhar na Luz (Revelação) do Sol da Justiça.

"Que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito"
Quanto mais o Sol se revela, mais somos tomados pelo seu calor, ou seja, O Perfeito, a Plenitude é fruto da Revelação contínua do Sol.
Repito: A Obra Criadora é a sombra da Redentora!
A resposta do presente é o porvir.


"PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas..." Hebreus 10:1

Referências: República de Platão - livro VI Mito da Caverna/297-299
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