EVANGELHO ETERNO

POR DANIEL SANTOS


"Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam." 1 Coríntios 2:9

Todos concordam que esta passagem é tomada de (Isaías 64.4); e visto que à primeira vista o significado é óbvio e fácil, os intérpretes não se dão muito ao trabalho de explicá-la. No entanto, ao atentar para ela mais de perto, duas diferenças bem sérias surgem. A primeira consiste em que as palavras usadas por Paulo não concordam com as palavras do profeta. A segunda consiste em que Paulo parece estar operando em linhas diferentes das do profeta, e assim a declaração do profeta parece ter um propósito totalmente estranho a seu desígnio. (Comentários de João Calvino)

Até certo ponto devemos concordar com Calvino; verdadeiramente os dois profetas inspirados pelo mesmo Espírito estão tratando historicamente de coisas diferentes (não necessariamente opostas).
Não obstante ele peca em dizer que os intérpretes não se dão muito ao trabalho de explicá-la.

Em suma o profeta Isaías pontua as limitações das nações, inclusive a cidade de Jerusalém, enaltecendo portanto a majestade do Deus Eterno. Já Paulo em seu discurso destaca o poder vívido do Evangelho.

Pois bem, respeitando o contexto no qual Calvino se encontrava, consciente da sua ênfase na história eclesiástica, é que não levamos em conta seus excessos. Hoje, a igreja da última hora tem a responsabilidade de trabalhar o texto sagrado com mais precisão.

"Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu"
Logo no início da frase o apóstolo faz referência a Septuaginta (LXX) "está escrito". Isto nos indica que ele está fazendo sua exegese a partir de uma profecia Messiânica; provando de forma categórica o real efeito do Evangelho na vida do pecador.
Em todo o período veterotestamentário, Deus usou prefigurações preparando seu povo para a chegada do Justo, ou seja, olho nenhum viu.

"E o ouvido não ouviu"
Já no cumprimento dessas profecias, na primeira vinda de Cristo João faz questão de assinalar: "NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (João 1:1) O Verbo que outrora nunca ninguém tinha ouvido falar; em sEu ministério, promulga as palavras vivas do Evangelho.

"E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam"
Quando dissemos que Paulo abrangeu a fala de Isaías, estávamos nos referindo a completude de um plano salvífico.
Observe;
No VT Deus trabalhou com prefigurações, ou seja, as verdades estavam ocultas; por isso ninguém-as viu, e nem-as ouviu.
Quando nos deparamos com o ministério de Jesus Cristo, parte das prefigurações tornam-se claras. O homem vê a salvação de Deus (Verbo se fez carne) e ao mesmo tempo, ouve  a sua voz (A conjugação do Verbo.)
Interessante é que o plano de Deus não parou por aí.
No dia de Pentecostes algo aconteceu dentro do homem; O Espírito Santo faz do coração do homem o sEu próprio Templo.
O Evangelho Eterno sobe ao coração do homem!

Se ainda você não viu os efeitos da salvação de Deus em sua vida, e nem ouviu a doce voz de Cristo te chamar; permita que este Espírito suba hoje ao seu coração.


Referências bibliográficas: Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP )
(Câmara Brasileira do Livro , SP, Brasil)
Calvino, João - 1509 -1564.
I Coríntios / João Calvino; tradução de V alter Graciano Martins. 2. ed. - São B ernardo do C am po, SP: Edições Parakletos,2003.
Título original: The C om m entaries o f John C alvin on the First E pistle ofP au l the A postle to the Corínthios - Bibliografia.
1 Bíblia. N.T. - Coríntios 1. - Comentários I. Título/pág 85
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